No xadrez político maranhense, a autoconfiança excessiva costuma ser o prelúdio de quedas memoráveis. O atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide, parece estar ignorando essa lição histórica ao adotar uma postura que muitos aliados já classificam como "meter os pés pelas mãos". Ao subestimar a inteligência da classe política e a memória do eleitorado, Braide flerta perigosamente com o isolamento, desenhando um cenário que remete diretamente ao declínio de Weverton Rocha nas últimas eleições estaduais.
Sem diálogo com lideranças expressivas e aparentemente "abandonado" pela ala dinista, entre outros, o gestor da capital se afasta progressivamente do grupo que, outrora, sustentou sua ascensão. A estratégia de "voo solo" tem gerado um rastro de insatisfação. Na manhã desta terça-feira (07), Braide disparou o que muitos consideram mais um "tiro no pé": a escolha de Elaine Carneiro. A decisão não foi apenas impopular; foi uma afronta direta às indicações e consensos do seu próprio grupo político.
Outro ponto crítico na trajetória de Braide é o seu desconhecimento geográfico e político do Maranhão profundo. Ao decidir cruzar o Estreito dos Mosquitos apenas após o anúncio de sua pré-candidatura, o prefeito demonstra uma desconexão com a realidade do estado. Tentar governar — ou pretender algo maior — olhando apenas para o próprio umbigo administrativo é um erro que o eleitor do interior não costuma perdoar.
A Sombra de Weverton
A comparação com o senador Weverton Rocha é inevitável e serve como um alerta amargo. Rocha, que liderava as pesquisas com folga, viu seu capital político derreter devido a escolhas personalistas e ao distanciamento de bases aliadas estratégicas, terminando a corrida em um amargo terceiro lugar.
Braide parece seguir a mesma cartilha. Ao ignorar o valor do diálogo e a força da união partidária, ele coloca em risco não apenas seus projetos futuros, mas a própria estabilidade de sua gestão. A pergunta que ecoa nos bastidores do Palácio de La Ravardière e na Assembleia Legislativa é uma só: seria Eduardo Braide o "novo Weverton"?
Se a arrogância continuar a ditar o ritmo das nomeações e das alianças, a resposta poderá vir, mais cedo ou mais tarde, através do silêncio das urnas.