Enquanto a maioria dos pequenos municípios maranhenses luta para equilibrar as contas e garantir o básico, a Prefeitura de Jatobá, sob a gestão do prefeito Léo do Banco, parece ter encontrado uma "mina de ouro" — ou, ao menos, um destino vultoso para o dinheiro público. Um edital de licitação aberto em janeiro deste ano revela uma cifra que destoa da realidade econômica local: a estimativa de gasto de R$ 6.725.026,78 para reformas em unidades de ensino.
O processo licitatório, que visa a "futura e eventual" contratação de empresa para intervenções estruturais e corretivas no setor de educação, chama a atenção não apenas pelo valor milionário, mas pela desproporção. Jatobá possui pouco mais de 7 mil habitantes e um PIB per capita de R$ 11.171,22. Na prática, o montante estimado para as reformas representa uma fatia agressiva do que se produz de riqueza no município, levantando o questionamento: as escolas precisam de reformas tão luxuosas ou a gestão está perdendo o senso de prioridade?
Proposta de 5 milhões e o "fator transparência"
A análise dos documentos públicos revela que a empresa RM DE OLIVEIRA NETO ENGENHARIA LTDA apresentou uma proposta de R$ 5.043.770,08. Embora o valor seja inferior ao teto estimado, a cifra de 5 milhões de reais para "intervenções corretivas" em uma cidade deste porte permanece sob a lupa da opinião pública.
O termo "eventual contratação", comum em registros de preços, é frequentemente utilizado por gestões municipais para agilizar gastos, mas, sem um detalhamento rigoroso de quais escolas serão beneficiadas e qual o estado real de cada uma, o edital assume um ar de "cheque em branco" com o dinheiro do contribuinte.
O contraste dos números
Para o cidadão jatobaense, a conta não fecha. Como uma cidade com indicadores econômicos modestos justifica investir mais de R$ 6 milhões em infraestrutura escolar em um único ano, enquanto outras carências sociais — como saúde e saneamento — seguem no aguardo?
A educação, embora seja um pilar fundamental, exige uma gestão eficiente. Reformas são necessárias, mas gastos exorbitantes sem o devido detalhamento técnico alimentam o ceticismo sobre a lisura e a finalidade desses processos. Em um ano onde a fiscalização deve ser redobrada, o "edital de ouro" de Léo do Banco coloca Jatobá no radar dos órgãos de controle do Maranhão.